Se você está pensando em entrar na área de painéis elétricos ou quer negociar um aumento, a pergunta que não quer calar é: quanto ganha um instalador de painel elétrico no Brasil hoje? A verdade é que a faixa varia bastante conforme o seu CEP (cidade/estado), nível de experiência, tipo de contratação e até o segmento onde você atua. Ainda assim, dá para traçar valores realistas, entender os adicionais que fazem diferença no bolso e ver caminhos práticos para subir de nível.

A seguir, um guia direto, com linguagem do dia a dia, exemplos numéricos e dicas acionáveis para você usar já.
O que faz um instalador de painel elétrico
O instalador de painel elétrico trabalha com quadros de distribuição, QDC, QGBT, CCM, centros de controle de motores, painéis de automação e proteção, entre outros. Ele:
- lê e interpreta diagramas unifilares/funcionais
- instala e fixa trilhos, barramentos, disjuntores, contatores, relés, medidores
- executa passagem e identificação de cabos, crimpagem e testes
- realiza comissionamento básico e inspeções de segurança
- dá suporte na partida de máquinas ou linhas de produção
Importante distinguir do “instalador de painel solar”. O foco aqui é painel elétrico industrial/comercial/predial, não fotovoltaico. Algumas empresas misturam funções, mas são mercados com requisitos e salários diferentes.
Faixa salarial no Brasil: visão geral por 2025
Sem rodeios: os números abaixo refletem o que se vê no mercado de forma ampla, variando com CEP, porte da empresa e escopo do projeto.
CLT (carteira assinada) — salário base mensal
- Auxiliar/Aprendiz: R$ 1.800 a R$ 2.600
- Júnior: R$ 2.800 a R$ 3.800
- Pleno: R$ 3.800 a R$ 5.500
- Sênior/Líder de equipe: R$ 5.500 a R$ 8.500
Benefícios como VR/VA, VT, plano de saúde, seguro de vida e prêmio por produtividade podem elevar o pacote final. Em obras industriais e em empresas que atuam com tensões mais elevadas, a remuneração tende a ser maior.
PJ/Autônomo — valores de referência
- Hora técnica: R$ 35 a R$ 90
- Diária (8 a 10h): R$ 300 a R$ 800
- Mensal por 176h: ~R$ 6.160 (R$ 35/h) a ~R$ 15.840 (R$ 90/h)
Para PJ, entram na conta despesas próprias: impostos, transporte, ferramentas, EPI, alimentação em campo e períodos sem contrato. Negociar bem escopo, prazo e aditivos é questão de sobrevivência.
Dica rápida: onde há maior demanda (capitais, polos industriais, data centers, saneamento, óleo & gás, hospitais, shoppings), paga melhor. Em muitas regiões do interior, os valores ficam na metade a dois terços do eixo SP–RJ–MG–PR, por exemplo.
O que mais pesa no salário
Experiência e escopo
- Quem domina leitura de diagramas, comissionamento e correção de falhas entrega mais valor.
- Projetos com barramento de alta corrente, seletividade e coordenação de proteção pagam melhor.
- Conhecimento em CLP, redes industriais e inversores de frequência é ouro.
Certificações e treinamentos
- NR10 (Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade) é o mínimo.
- NR10 SEP (sistema elétrico de potência) valoriza muito onde há média/alta tensão.
- NR35 (trabalho em altura) e NR33 (espaço confinado) abrem portas em obras específicas.
- Cursos de comandos elétricos, medição e testes, parametrização de relés e automação sobem a régua.
Tipo de contrato
- CLT entrega estabilidade, benefícios e adicionais legais.
- PJ costuma pagar mais por hora/dia, mas exige gestão financeira, nota fiscal e reserva para períodos sem obra.
Setor e risco
- Indústria pesada, óleo & gás, mineração, data centers e hospitais pagam melhor do que pequenas lojas/obras residenciais.
- Ambientes com periculosidade e condições especiais elevam o contra-cheque.
Mobilidade e disponibilidade
- Quem aceita viagem, pernoite e plantão aumenta o ticket.
- Escalas noturnas rendem adicional.
Adicionais e benefícios que turbinam a remuneração CLT
- Periculosidade (30%): aplica em atividades com exposição a risco elétrico enquadradas pela empresa.
- Insalubridade: quando houver agentes nocivos e perícia comprovar.
- Hora extra: 50% em dias úteis, 100% em domingos/feriados.
- Adicional noturno: geralmente 20% sobre as horas entre 22h e 5h, conforme convenção local.
- Diárias e ajuda de custo: viagens, alimentação, transporte, pernoite.
- Prêmios/bonificações: produtividade, metas de obra, “PLR”.
Esses itens mudam o jogo. Muita gente olha só o “salário base” e esquece que o pacote total é o que importa.
Simulações reais (para você entender a conta)
Os cálculos abaixo são ilustrativos, mas ajudam a visualizar o impacto dos adicionais.
Simulação A — CLT Pleno com periculosidade e 20h extras
- Base: R$ 3.800
- Periculosidade (30%): R$ 1.140
- Hora base: R$ 3.800 ÷ 220 = ~R$ 17,27
- 20h extras a 50%: 20 × (17,27 × 1,5) ≈ R$ 518,18
- Total bruto do mês: 3.800 + 1.140 + 518,18 ≈ R$ 5.458,18
- Observação: aqui não somamos VR/VA, plano e outros benefícios.
Simulação B — CLT Sênior com periculosidade, 10h extras, 60h noturnas e 10 diárias
- Base: R$ 6.500
- Periculosidade (30%): R$ 1.950
- Hora base: R$ 6.500 ÷ 220 = ~R$ 29,55
- 10h extras a 50%: 10 × (29,55 × 1,5) ≈ R$ 443,18
- Adicional noturno (60h × 20%): 60 × (29,55 × 0,2) ≈ R$ 354,55
- Diárias: 10 × R$ 120 = R$ 1.200
- Total bruto do mês: 6.500 + 1.950 + 443,18 + 354,55 + 1.200 ≈ R$ 10.447,73
Perceba como o mesmo salário base “decola” com adicionais. Em obras longas, essa diferença acumulada é enorme.
CLT x PJ: qual paga mais no fim?
Não existe resposta única. Em geral:
- CLT
- Estabilidade, férias, 13º, FGTS, benefícios.
- Adicionais legais previsíveis.
-
- − Menos flexibilidade para negociar hora/dia.
- PJ
- Hora/dia frequentemente maior.
- Liberdade para ajustar escopo e prazos.
-
- − Sem férias/13º/FGTS; você precisa “guardar” esses percentuais.
- − Administração de impostos, emissão de NFS-e, períodos “no seco”.
Se você tem carteira de clientes, disponibilidade para viagens e um bom portfólio, PJ tende a render mais no curto prazo. Para quem busca previsibilidade e benefícios familiares, CLT é caminho seguro.
Como ganhar mais rápido nessa profissão
1) Construa base técnica sólida
- NR10 atualizado, NR35 e NR33 conforme a realidade da obra.
- Curso de comandos elétricos e diagnóstico com multímetro/alicate amperímetro.
- Leitura avançada de diagramas e boas práticas de identificação (fios, bornes, etiquetas).
2) Suba um degrau com automação
- Noções de CLP, inversores e redes (Modbus, Profinet, Ethernet/IP) valorizam.
- Capacidade de comissionar: ligar, testar, ajustar e entregar funcionando.
3) Portfólio e reputação
- Registre antes/depois, fotos de barramentos, organização de cabos, laudos de teste.
- Mostre comprometimento com segurança e padronização. Isso vende seu valor.
4) Negociação consciente (PJ)
- Tenha tabela de hora/dia por tipo de serviço: montagem simples, média/alta complexidade, comissionamento.
- Detalhe escopo, número de pontos, prazos e o que não está incluso.
- Reajustes por aditivos e hora extra pactuados por escrito.
5) Mobilidade e disponibilidade
- Aceitar turnos, plantões e viagens aumenta sua cotação.
- Mantenha documentos e exames ocupacionais em dia para não perder janela de obra.
Fatores por região (o “efeito CEP”)
- Capitais e polos industriais: maiores pacotes, competição mais acirrada, exigência técnica mais alta.
- Interior: valores mais baixos em média, porém custo de vida menor; menos especialistas pode significar mais demanda para quem é bom.
- Obras sazonais: regiões com grandes paradas de manutenção ou expansão de plantas apresentam picos de remuneração por períodos curtos.
Se você tem flexibilidade para se deslocar e ficar 30–60 dias fora, sua renda anual pode subir bem.
Perguntas rápidas
Qual o salário inicial?
Para quem começa como auxiliar, R$ 1.800–2.600. Quem entra já como instalador júnior costuma ver R$ 2.800–3.800, dependendo do CEP e da empresa.
Montador x instalador: tem diferença?
O montador trabalha mais na fábrica/obra montando o painel, fixando componentes e organizando cabos. O instalador atua mais em campo, fixando o quadro, alimentações, interligações e testes. Muitas empresas misturam as funções e pagam parecido; projetos mais complexos ou comissionamento melhoram a remuneração.
Vale a pena investir em cursos?
Sim. Certificações como NR10 e treinamentos em comandos/automação costumam retornar no primeiro ou segundo contrato melhor pago.
Dá para migrar para supervisão ou técnico de comissionamento?
Com domínio de leitura de esquemas, instrumentação e redes, é um caminho natural. Nessas funções, as faixas sobem e o pacote de viagem é mais robusto.
Caminho de carreira sugerido (do zero ao sênior)
Do zero ao júnior (3 a 12 meses)
- NR10 + curso de comandos elétricos.
- Rotina de bancada: crimpar, identificar, medir, testar disjuntores/contatores.
- Acompanhamento de um sênior na leitura de diagramas.
De júnior a pleno (1 a 3 anos)
- Independência na instalação de QDC, CCM, interligações e testes.
- Entrega de documentação simples e checklist de comissionamento.
- Início em automação: CLP básico, inversores, redes.
De pleno a sênior/líder (3 a 6 anos)
- Planejamento de frente de serviço, distribuição de tarefas e interface com engenharia.
- Resolução de falhas e start-up sob pressão.
- Negociação de prazos e qualidade com cliente final.
Nesse percurso, você sai de R$ 2.800–3.800 e chega, com maturidade, na casa dos R$ 5.500–8.500 CLT ou R$ 60–90/h PJ, dependendo do CEP e do nicho.
Erros comuns que travam o salário
- Subestimar o impacto dos adicionais e negociar apenas o “salário base”.
- Não documentar escopo e deixar aditivos “no ar”.
- Ignorar segurança e EPI; além de arriscado, derruba sua credibilidade.
- Falta de organização no painel: fiação sem padrão, identificação fraca, bagunça visual.
- Ficar distante de automação e comissionamento, perdendo as vagas mais valorizadas.
A resposta curta para quanto ganha um instalador de painel elétrico é “depende do CEP, do nível e do contrato”, mas dá para cravar boas referências: CLT gira de R$ 2.800 a R$ 8.500 conforme senioridade e segmento; PJ parte de R$ 35/h e chega a R$ 90/h em projetos mais exigentes, com diárias que vão de R$ 300 a R$ 800. O que realmente acelera o ganho é dominar leitura de diagramas, segurança, montagem limpa, comissionamento e, quando possível, um pé firme em automação. Some a isso certificações, portfólio bem apresentado e negociação clara, e você sai da base para um patamar que dá orgulho. É trabalho sério, mas honesto; quem entrega resultado, cresce.