Se você é síndico, gestor predial ou aquele morador que sempre acaba puxando a fila das decisões, já deve ter ouvido que modernização de elevador é “um rombo no caixa”. Respira. Tem custo, sim, mas com um bom escopo, comparando propostas direito e negociando cláusulas, dá para investir em segurança e reduzir panes sem estourar o orçamento do condomínio. Neste guia direto ao ponto eu explico quanto custa, o que entra no preço, como evitar pegadinhas e quando vale considerar trocar tudo.

Quanto custa modernizar um elevador em 2025
Falar em “valor” exige separar cenários. Em linguagem de mercado, modernizar costuma significar trocar o comando (drive/CLP/variador VVVF), botoeiras, displays e cabos de sinal, fazer adequações de segurança e, se couber no bolso, dar um tapa na cabine.
- Pacote tecnológico essencial (comando + botoeiras + ajustes básicos): em muitos prédios residenciais e comerciais médios, fica com frequência entre R$ 40 mil e R$ 70 mil por elevador, variando pela marca, número de paradas e itens de segurança pendentes.
- Escopo ampliado (inclui operador de portas novo e mais adequações): prepare algo entre R$ 80 mil e R$ 120 mil por unidade, dependendo de quantos pavimentos e do estado do conjunto.
- Reforma estética de cabine (painéis, piso, iluminação): normalmente acrescenta R$ 8 mil a R$ 25 mil conforme o acabamento escolhido.
Quando o equipamento está muito defasado ou com várias não conformidades, o total sobe. Ainda assim, modernizar sai bem abaixo de trocar o conjunto inteiro.
E se eu decidir substituir o elevador?
A substituição integral costuma ultrapassar R$ 120 mil e pode chegar a R$ 300 mil+ por elevador conforme capacidade, velocidade, número de paradas e acabamento. É outro nível de obra, com prazos e intervenções maiores. Modernizar primeiro costuma oferecer melhor custo-benefício quando a estrutura mecânica ainda tem “fôlego”.
Por que os preços variam tanto?
Porque cada elevador é um universo. Estes fatores mexem bastante no valor final:
- Número de paradas e altura do prédio
- Capacidade e velocidade do conjunto
- Marca, idade e histórico de manutenção
- Lista de não conformidades de segurança a corrigir
- Disponibilidade de peças no mercado
- Acabamento desejado na cabine e nas botoeiras
- Jornada de obra (trabalho noturno, feriados, prédio com alta demanda etc.)
O que entra no orçamento de modernização
Componentes tecnológicos
- Quadro de comando/drive VVVF (o cérebro do sistema)
- Botoeiras de cabine e de pavimento, displays e campainhas
- Cabeamento de sinal e de força associado ao controle
- Sensores e interfaces com portas e casa de máquinas
Adequações de segurança
- Intertravamentos, barreiras de luz e sensores de porta
- Sinalizações obrigatórias, contatos e ajustes de nivelamento
- Correções pedidas em relatórios de inspeção
Portas e operador
- Operador de portas (mecanismo que abre/fecha)
- Ajustes ou trocas de portas de pavimento
- Kits de amortecimento/silenciamento
Estética da cabine
- Painéis (inox, laminados, vidro)
- Piso, corrimãos, espelhos, iluminação LED
- Sinalização visual acessível
Serviços e documentação
- Instalação, testes, ART/responsabilidade técnica
- Treinamento básico do zelador/porteiros
- Garantia e plano de manutenção subsequente
Modernizar ou substituir? Como decidir de forma objetiva
- Modernizar é indicado quando a estrutura mecânica (máquina de tração, guias, cabos) está em condição aceitável e o que “envelheceu” foi a eletrônica e a interface. Benefícios: menos panes, economia de energia, peças mais fáceis de encontrar e tecnologia atualizada.
- Substituir faz sentido quando há desgaste estrutural relevante, capacidade insuficiente para a demanda do prédio ou quando as adequações necessárias custariam quase o preço de um novo.
Uma regrinha simples: se a soma do pacote tecnológico + portas + adequações graves começa a encostar no patamar de substituição, vale cotar os dois cenários lado a lado.
ROI: quando a modernização se paga
Uma modernização bem planejada costuma reduzir:
- Paradas e chamadas, diminuindo custos de manutenção corretiva
- Consumo de energia, graças a drives VVVF e iluminação LED
- Tempo de viagem e de porta aberta, melhorando a circulação do prédio
Em condomínios com muito tráfego (consultórios, clínicas, prédios comerciais), o ganho de disponibilidade gera retorno perceptível. Não é raro o investimento “se pagar” em alguns anos pela soma da economia de energia + queda de chamados emergenciais. Claro, números variam por caso.
Como comparar orçamentos de forma justa (e inteligente)
- Peça laudo técnico com a lista de pendências e o estado dos principais conjuntos.
- Exija escopo detalhado por item: comando, botoeiras, operador de portas, adequações, estética, instalação, ART.
- Padronize a solicitação: envie o mesmo memorial aos concorrentes, assim a comparação é maçã com maçã.
- Verifique prazo, garantias e SLA de atendimento durante a obra.
- Negocie desembolso por marcos (sinal + entrega do comando + comissionamento).
- Cheque peças e assistência disponíveis na sua cidade.
- Leia as exclusões: guias, cabos, pintura de poço, obras civis… o que ficar “por conta do cliente” precisa estar claro.
Como reduzir o custo sem sacrificar segurança
- Priorize o pacote tecnológico primeiro; estética de cabine pode ficar para uma segunda etapa.
- Troque o operador de portas apenas se o atual estiver no fim de vida; às vezes um overhaul é suficiente.
- Escolha botoeiras robustas e fáceis de manutenção, sem firulas caras que ninguém usa.
- Aproveite a janela para migrar toda a iluminação para LED, isso reduz consumo de cara.
- Garanta o básico de acessibilidade (sinal sonoro, displays legíveis, corrimão). Evita retrabalho futuro.
- Negocie manutenção por 12 meses com SLA claro ao fechar a modernização. Sai mais barato em pacote.
Passo a passo para fechar um bom negócio
1) Diagnóstico
Faça uma vistoria completa, com fotos e a lista de falhas recorrentes. Identifique o que é crítico de segurança e o que é estético.
2) Memorial descritivo
Monte um documento simples com:
- Dados do prédio (paradas, capacidade, uso)
- Itens obrigatórios do escopo
- Itens opcionais separados
- Prazos desejados e janelas de trabalho
- Requisitos de garantia e SLA
3) Cotações comparáveis
Envie o memorial para pelo menos três empresas. Peça que citem itens por linha, com preços unitários, para você poder ajustar o escopo sem perder a referência.
4) Negociação
- Amarre prazo e multa por atraso.
- Condicione parte do pagamento à entrega e comissionamento.
- Tente incluir treinamento do pessoal do prédio.
- Verifique responsabilidade técnica (ART) e seguros.
5) Cronograma e comunicação
Combine um cronograma realista e avise os moradores: períodos de parada, testes e ruídos. Comunicação clara reduz dor de cabeça no corredor.
Erros comuns que encarecem a obra
- Fechar escopo “escuro” sem detalhar o que será trocado.
- Deixar a acessibilidade para “depois” e ter de quebrar a parede outra vez.
- Ignorar as portas quando elas já estão no limite de vida útil.
- Escolher estética “de revista” e economizar no operador de portas, que é o item que mais dá pane.
- Aceitar garantia curta e manutenção “a parte” sem SLA. Parece barato, depois dói.
Perguntas frequentes
Modernização aumenta a velocidade?
O comando novo e a lógica mais esperta melhoram aceleração e nivelamento, o que dá sensação de agilidade. A velocidade nominal depende do projeto do elevador.
Precisa interditar o elevador por semanas?
Sim, há período de parada. Em projeto padrão, considere 3 a 8 semanas por elevador, variando pelo escopo e pela disponibilidade de peças. Em prédios com dois elevadores, o ideal é modernizar em etapas alternadas.
Posso modernizar só a cabine?
Pode, mas não resolve panes de comando/portas. Estética é o “tapa” que todos veem; confiabilidade mora na eletrônica e no operador.
E a norma?
Siga as diretrizes vigentes e o relatório de inspeção. Priorize as correções de segurança; o restante entra conforme orçamento.
Três exemplos didáticos de orçamento
Exemplo A – Essencial bem feito (prédio residencial de 8 andares)
- Comando VVVF + botoeiras + displays: R$ 45.000
- Adequações de segurança (barreira de luz, contatos, sinalização): R$ 12.000
- Instalação, testes, ART e treinamento: R$ 6.000
- Estética de cabine: R$ 0 (fica para fase 2)
Total estimado: R$ 63.000
Exemplo B – Tecnológico + portas (misto residencial/comercial, 12 andares)
- Comando VVVF + botoeiras: R$ 50.000
- Operador de portas novo: R$ 18.000
- Adequações e cabeamento: R$ 10.000
- Estética simples (piso novo + LED + corrimão): R$ 9.000
- Serviços/ART: R$ 7.000
Total estimado: R$ 94.000
Exemplo C – Escopo completo (com tráfego intenso)
- Comando VVVF + botoeiras premium: R$ 60.000
- Operador + kits de portas de pavimento (vários): R$ 30.000
- Adequações de segurança ampliadas: R$ 15.000
- Cabine nova (painéis inox, forro, LED dimerizável): R$ 20.000
- Serviços, testes, ART e reserva de materiais: R$ 10.000
Total estimado: R$ 135.000
Obs.: São exemplos didáticos para orientar comparação. O número real depende do seu laudo e do escopo final fechado.
Checklist rápido para solicitar propostas
- Laudo/diagnóstico com fotos
- Memorial descritivo único para todos os fornecedores
- Separação clara entre itens obrigatórios e opcionais
- Prazos, janela de obra e multa por atraso
- Garantia mínima e SLA de atendimento durante e após a obra
- Plano de manutenção vinculado por 12 meses
- Treinamento e entrega de manuais
- ART e seguros
Modernizar um elevador não precisa ser um bicho de sete cabeças nem um cheque em branco. O segredo está em três palavras: escopo, comparação e prioridade. Comece pelo diagnóstico, foque no pacote tecnológico e nas adequações de segurança, deixe o embelezamento da cabine para quando couber, e amarre garantias e prazos no contrato. Com isso, você aumenta a disponibilidade, reduz panes e consumo de energia e entrega mais conforto para quem usa o elevador todo santo dia. E o caixa do condomínio agradece.